A Evolução da TI: De Centro de Custo a Pilar de Governança e Segurança

Por muito tempo, a Tecnologia da Informação ocupou um lugar ingrato dentro das organizações. Era vista pela alta gestão apenas como uma linha de despesa no balanço financeiro, um “mal necessário” cuja única função era manter os computadores ligados e o e-mail funcionando.

Nesse cenário antigo, o sucesso do gestor de TI era medido pela sua capacidade de reduzir custos e manter a invisibilidade (se ninguém estava reclamando da TI, é porque ela estava funcionando).

No entanto, o mercado atual não permite mais esse tipo de amadorismo estratégico. Com a transformação digital acelerada, a TI deixou o “porão” da empresa para ocupar uma cadeira nas reuniões de diretoria. Ela deixou de ser suporte para se tornar o próprio negócio. E, nesse novo contexto, a Segurança da Informação e o Compliance assumem o protagonismo.

A maior barreira para a modernização da TI ainda é a mentalidade de que investir em Cibersegurança é “pagar caro por algo que não gera lucro”. Essa visão é perigosa e financeiramente imprecisa.

Quando a TI atua como um pilar estratégico, a Cibersegurança deixa de ser vista como um freio ou burocracia. Ela passa a ser entendida como um ativo de viabilidade.

Viabilidade Comercial: Grandes corporações e multinacionais aumentaram drasticamente seus requisitos de contratação. Hoje, fornecer serviços para grandes players exige comprovação robusta de conformidade com leis de proteção de dados (como a LGPD) e normas internacionais. Sem uma TI segura e auditável, a empresa perde a capacidade de fechar grandes contratos. O investimento em segurança se paga através do acesso a novos mercados.

Proteção do Valuation: A reputação de uma marca, construída ao longo de décadas, pode ser destruída em horas após um vazamento de dados ou um ataque de ransomware mal gerenciado. A TI estratégica atua na preservação do valor da empresa, garantindo que a confiança do cliente (o ativo mais volátil do mercado) permaneça intacta.

Para consolidar essa transição de “centro de custo” para “parceiro estratégico”, a liderança de tecnologia precisa ajustar seu vocabulário.

Em vez de justificar orçamentos com base apenas em especificações técnicas (hardware, licenças, largura de banda), o foco deve estar na gestão de riscos e retorno. A conversa com a diretoria (C-Level) deve girar em torno de perguntas de negócio:

  1. Qual é o impacto financeiro de uma parada operacional de 4 horas?
  2. Qual é o risco jurídico de não estarmos em compliance com a regulação atual?
  3. Como a automação segura pode reduzir o erro humano e aumentar a margem de lucro?

A empresa que continua tratando sua TI como uma zeladoria digital está fadada à estagnação. A tecnologia, aliada a uma postura rigorosa de Governança e Segurança, é o único motor capaz de garantir longevidade e competitividade.

O custo de uma TI moderna e segura é alto, mas o custo da obsolescência e da vulnerabilidade é fatal.